terça-feira, 16 de agosto de 2016

Vento forte no parque



                         
O vento forte no parque
O cheiro da recente alegria ainda estendida
Lama e restos por toda a parte
Desconstrói tudo que foi presenciado 
em um instante passado

Antes da chuva       
Antes do vento
Antes da lama

                                      

Caos e solidão no asfalto
Concretismo da minha tristeza velada
Junto ao ar raro
Junto ao paradoxo articulado
Junto as nuvens pesadas

O parque o vento e a chuva variante
força contrária do riso solto e 
das brincadeiras exploradas algumas horas passadas
Confunde todas as minhas pegadas


O efeito da tempestade então se consome
Numa tarde de sono e outono
e silêncio vivo

O vulto das crianças dispersas
A amarelinha desmanchada
O gato na árvore

Representam a imensa vontade de 

andar devagar
Se arrastar na lama
Na chuva no vento
No parque
E se esquecer de tudo por
Alguns instantes









Poema trabalho interno


o sonho nunca se esgota
o pensamento na porta
a xícara de chá morna
e o vento fugaz
tudo se desfaz


a areia com olhos vivos
os limites pagãos
a rápida volta às entranhas do mundo
lugares oximoros
Plutão, Nova York, Cazaquistão
estar la e aqui
assistir meu pai, com olhos de minha mãe
subir e descer montanhas
permanecendo ainda inerte


fumar transar andar
e não sentir
correr pular socar
e não existir


pulsões inconscientes
querer o que não quis
dizer o que não se diz
pagar para falar com o demônio
entender Deus Buda e filosofia zen
explorar vísceras e cavernas assombrosas
caminhar entre
o inicio o meio e o fim dos tempos
ser o eu articulista, santo ou querubim



e com uma simples batida na porta
                                  despertar de um inacessível                              
     espetáculo onírico


                                              The Persistence of Memory,  Salvador Dalí
  



Chovia

Acordei com o ruído das gotas de chuva batendo no parapeito da janela.
Eram quatro da tarde quando acordei.
Chovia.
Embora, um maravilhoso facho de luz dourada e serena entrasse pela janela iluminando o quarto todo verde claro e lilás. Ergui a cabeça, e vi, espremido entre a janela e a cortina, o sol de fim de tarde, belo ainda que tímido, escondido por algumas nuvens carregadas. Fechei os olhos, contrariando com esse gesto a vontade que qualquer criatura teria de contemplar aquela estupenda cena, e estiquei com delicadeza minhas mãos até àquela lâmina de luz quente, como se agarrasse algo substancial. Senti um toque suave e uma agradável onda de calor nas mãos, depois... a sensação. Não ousei me mexer. Sentada na cama, Com os olhos semicerrados, na quase escuridão, vinha ate mim o TIC TAC do relógio, o ruído melancólico dos pingos da chuva e o toque da caixa postal.  Embora pouco palpável, aquela comprida luz me dava uma celestial paz. E então.. aquele súbito entendimento que vem devagar, se arrasta, magia diagonal!  o vento sopra no seu ouvido e você se sente fluindo. Os últimos raios do sol sumindo.
Não lembro de mais nada. só lembro que chovia.


terça-feira, 18 de agosto de 2015

Anna Akhmatova - Segunda-feira




Vinte e um. Segunda-feira. É noite!
No escuro contornos da cidade.
Algum vagabundo escreveu que na terra pode haver amor.

E por tédio ou preguiça,

Todos acreditaram e assim vivem:
Esperam encontros, temem adeus
E cantam canções de amor

Mas a outros revela-se o segredo,

E o silêncio repousará sobre eles...
Descobri isto por acaso
E desde esse momento sinto-me mal.


domingo, 12 de julho de 2015

Crime e Castigo

Rodion Românovitch
Raskólnikov, jovem estudante oprimido pela pobreza e inconformado com a própria situação de miséria e duvidas que tanto o atormentam, se vê obrigado a largar a faculdade por não conseguir arcar com as despesas nem para alugar um lugar decente para dormir já que dorme em um cubículo que segundo suas mesmas palavras tem um grande influencia em seu estado sorumbático.
anda por uma Petersburgo quase onírica, enquanto, tomado pela ideia de grandeza, formula uma teoria absurda, a qual julga que homens grandiosos como Napoleão, ou seja, um ser extraordinário, super homem, dotado de liberdade e  ditador de novas regras, o homem que ultrapassa o limite que a humanidade impõe, tem o direito e o poder de dominar homens que ele julga ordinários, inferiores, para um bem maior. Até mesmo direito ao crime se preciso. Com essa justificativa mata uma velha agiota que ele considera ''um piolho'' e se apodera de seus bens, mas nem tudo se dá como o planejado, na cena entra uma outra pessoa que ele acaba também matando e uma serie de outros imprevistos. Embora ele nunca se arrependa de seu crime e não abandona sua teoria ele acaba se tornando alguém atormentado pela própria consciência e é sua consciência e uma jovem prostituta religiosa que o induzem a rever seus conceitos. levando-o a fluir entre os opostos das teses bem construídas que levam a descrenças e a força inexplicável da crença.
Em paralelo, Porfiri Petrovich um certo juiz de instrução, o cerca e o oprime com sua ''psicologia confusa'' chegando a sufoca-lo com suas suposições.
É porem, a dualidade de sua personalidade é que me chama mais atenção, entre intenções sombrias e atos bondosos (quais nem ele mesmo entende) existe um ser sensível dotado de inteligencia, altivez, indiferença e caridade, esses traços extremos que o tornam único e ate mesmo cativante. 
ler ''crime e castigo'' foi uma revolução profunda e turbulenta na minha vida, um romance tao bem escrito e traduzido que em algumas passagens era como se eu mesma sentisse e compreendesse toda a dor e agonia da personagem. Dostoiévski fez uma das melhores análises da alma e do comportamento humano, expões sentimentos comuns a todos nos, sentimentos esses que fazemos questão de esconder, porque incomoda, machuca. 
romance repleto de reflexões filosóficas e psicológicas que se entrelaçam nos diálogos dos personagens desse grande clássico.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

O Casulo Imutável









vou ficando por aqui

onde os dias são como a noite

onde minha tristeza é brilhante

onde eu esqueço a lua grande

que ilumina a rua rastejante




vou ficando por aqui

onde o tempo passa lentamente

onde de pouquinho e pouquinho os dias morrem 

dias como anos

onde a chuva não cai, e o sol não bate



vou ficando por aqui

nessa introspecção infinita

atingindo um paroxismo convicto

enquanto lá fora tudo corre

igual e nivelado

onde pessoas com caras berrantes

agitam suas pastas importantes

onde pelas escadas rolantes

do grande shopping center 

abarrotado de gente

alguém espera um caminho triunfante



vou ficando por aqui

onde tudo é cinza 

onde tudo é dogmático e entediante 



(!!!)

sexta-feira, 20 de março de 2015

O estrangeiro

          ( Charles Baudelaire )






- A quem mais amas tu, homem enigmático, dize: teu pai, tua mãe, tua irmã ou teu irmão?

- Eu não tenho pai, nem mãe, nem irmã, nem irmão.

- Tens amigos?

- Você se serve de  uma palavra cujo sentido me é, até hoje, desconhecido.

- Tua pátria?

- Ignoro em qual latitude ela esteja situada.

- A beleza?

- Eu a amaria de bom grado, deusa e imortal.

- O ouro?

- Eu o detesto como vocês detestam Deus.

- Quem é então que tu amas, extraordinário estrangeiro?

- Eu amo as nuvens ...as nuvens que passam lá longe ... as maravilhosas nuvens!




Pequenos Poemas em Prosa ( Charles Baudelaire)




Viagem ao litoral

Tarkovsky Polaroids   Quando a visão é surpreendida Por dois filetes de água Que rasgam as montanhas E a linguagem se t...